Porque é que as pessoas não se hão-de entreter com livros? Muitas vezes, são tão inteligentes como os homens, tão divertidos como eles e menos impertinentes.
Hermann Hesse
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2011/09/01
Eis-me de novo a trabalhar. Mas a novidade é que o pai da criança, vulgo meu marido, está de licença. Até ao final de Setembro. Viva a partilha!
Regressar ao trabalho desta vez não custo tanto como da primeira gravidez. Saber que a bebé continua no seu ritmo rotineiro normal deixou-me muito tranquila. Poder partilhar os dois filhos com um pai de licença parental trouxe maravilhas, até o simples facto de poder tomar o pequeno-almoço em casa me deixa abismada!
Agora estou de ferias (as primeiras desde o inicio do ano, se bem que a maioria das pessoas que me conhecem digam insistentemente "vais de férias OUTRA VEZ???" quando eu até à data tinha apenas tirado um dia de férias em Março e estive a tratar da minha bebé de licença... mas pronto, aguenta-se), a arrumar coisas que precisam de caminho antes de começar a lufa lufa do trabalho dos dois progenitores e antes do início do ano lectivo do piolho mais velho.
Parece que cá por casa andamos todos calmos, minimamente tranquilos. O mais velhor faz birras ocasionais, a mais nova tem sido tranquila. A bebé Marta, que já come papa e dorme no seu quartinho, deixa-nos algum tempo livre.
Andamos em preparação do baptismo da menina Marta, que se aproxima, cientes de que mais uma vez nos alegra o coração levar um nosso filho à presença do "big boss" JC. Podemos dizer que a Marta é uma orgulhosa futura afilhada de uns orgulhosos futuros padrinhos, que ficaram muito felizes com esta incunbência.
E de resto, a vida vai fluindo. Não somos protagonistas de novidades bombásticas nem de alterações fabulosas nas nossas vidas, mas quem disse que a vida era feita de assombrosos acontecimentos? A maior percentagem dela é vivida de forma "morninha" até porque o ser humano comum não se pauta de sistemas nervosos capazes de tumultuosos tsunamis de adrenalina! :)
2011/08/11
Se isto não é masoquismo!...
A minha licensa de maternidade termina para a semana... e eu hoje fui dar um salto ao meu local de trabalho em visita. Saudades? LOL!
Se isto não é masoquismo!...
A minha licensa de maternidade termina para a semana... e eu hoje fui dar um salto ao meu local de trabalho em visita. Saudades? LOL!
2011/08/01
Pela manhã, ao chegar ao quarto dos pais:
G.- Ó pai, porque é que não estás vestido? N.- Errrr... porque tinha calor...
Priceless! :)
2011/07/29
Olha quem nos visitou na festa do Gonçalo!

:)
2011/07/28
Os anos são dele, Gonçalo. Os meses, dela, Marta. Celebrados na mesma ocasião.
Os 4 anos do meu menino... para já, é inacreditável que este louro já tenha 4 anos. Passou num sopro e isso assusta-me! Depois, porque parece que o quero ver sempre pequenino... imagino agora quando o miúdo já for adulto e a fazer a vida dele, temo ser ainda mais chata do que muita mãe que para aí anda. Mas desde que ele não se desiluda comigo, serei sempre a mãe melhor possível.
A grande alteração na vida deste miúdo de 4 anos foi ter deixado de ser filho único há 3 meses atrás. E se nos primeiros 2 meses de vida da Marta tudo corria calmamente, de há 1 mês para cá, esta casa deixou de ser tranquila. São muitas as birras para chamar a atenção e isso é bem mais dificil de gerir do que as crises de cólicas da bébé. Cá dentro sinto uma ansiedade grande, porque temo que ele se sinta ostracizado...
A Marta já conta com 3 meses de vida neste mundo endividado mas anda feliz, sorridente e apenas zangada com a barriga à conta das cólicas. Fora isso está bonita e grandota. Quer-se dizer, nem por isso, está média, tudo no percentil 50.
A festa de anos do Gonçalo foi simpática, cheia de balões da loja dos chineses que rebentavam quando a brisa da rua entrava pela sala (boa qualidade, portanto). E até houve espaço para penetras na festa! Mas eu sou um coração de manteiga (not) e não me importei (again not!).
Parabéns ao meu garoto de 4 anos, lindo e bem disposto. Ser mão é brutal! :)
 O dia do aniversário, em casa!
 Uma das (muitas prendas), a lancheira do Faísca, dada pelo avô Tó e pela avó Raquel
 A festa I
 A festa II
 A festa III
 A festa IV

4 anos de um e 3 meses de outra :)
2011/05/18
Gonçalo - (ao passar junto ao exposito do Jumbo que vende passadeiras daquelas dos ginasios) Mãe, aquelas coisas são para os senhores do Peso Pesado usarem.
Eu - Sim filho, pois são.
Gonçalo - (vendo passar um casal de meia idade por ele, olha para a senhora e diz) Oh mãe, aquela senhora é do Peso Pesado!!!
A senhora não olhou para trás, portanto não deve er ouvido. (Suspiro de alívo...)
2011/05/10
 No dia da chegada a casa
 Passagem de testemunho: Gonçalo com a roupinha que a bisavó Silvéria deu (2007)
 e a Marta com a herança (2011)
No dia em que a Marta nasceu, o Gonçalo veio de visita ao hospital cerca de 1.20h depois do nascimento. Estava eu no quarto há pouquissimo tempo. Tinhamos deixado o pequeno nos avós maternos na sexta-feira às 22h e fomos para o hospital na manhã de Sábado. O que quer dizer que nem 24h fez que estivemos longe do Gonçalo.
E quando o Gonçalo entrou no quarto eu achei que ele tinha crescido para aí uns 50cm numa noite. Já não me parecia pequeno, as mãos dele, que tanto gostamos de entrelaçar nas minhas, que pegam nas minhas ao mesmo tempo em que com voz doce me pede "festinhas!!!" já não me pareciam pequeninas. Cada dedo, a palma da mão, tudo tinha crescido imenso no espaço de uma noite...
Durante a gravidez, disse muitas vezes a expressão "o primeiro" isto, o "segundo" aquilo e fui alertada para não continuar a referir-me aos meus filhos desta maneira, sob prejuizo de tornar evidente alguma diferenciação perjorativa. Mas o facto é que nesta equação Rute+Nuno = Gonçalo+Marta, há de facto, um primeiro e um segundo, quanto mais não seja porque cronologicamente, a diferenci~ção é obrigatória. Tive uma primeira gravidez e uma segunda, tive um primeiro filho e um segundo. Nada mais do que isto.
Mas a tal equação deixou-me dois pensamentos: se cronologicamente, há um primeiro e um segundo, no coração há um podium de igual altura para ambos. São as minhas crias, que aparecem fruto de algo maior do que eu e o pai e que não conseguimos explicar, acho que vulgarmente se chama amor, eu chamo-lhe mistério! E cada um dos meus filhos é especial e diferente e tem o seu lugar nas minhas entranhas, vulgo coração. Se um chegou em 2007 e o outro em 2011, é um facto que há um primeiro e um segundo lugar, mas são ambos tão especiais e parte de nós que já não nos vemos sem eles.
Estes considerandos todos para transmitir algo que tenho sentido nestas 2 semanas com 2 filhos: o primeiro, amado tanto quanto a segunda, é sempre o primeiro. Tenho uma cumplicidade doce com o meu filho e amo-a com todas as minhas forças. No fundo, não querendo tornar esta afirmação algo doentia, adoro que dependa de mim, da minha presença, da minha ajuda, eu sei lá. Adoro te-lo a pedir-me um copo de água, ou que brinque com ele. Adoro que tenha saudades que eu o leve à escola pela manhã e adoro que partilhemos momentos a cantar as músicas "do Jesus" (os cânticos do meu tempo de catequese que eu ingenuamente lhe fui ensinando, juntamente com a avó Raquel) ou as músicas dos desenhos animados do Canal Panda.
O que quero dizer é que o Gonçalo é o meu menino, o meu bebé e sinto que sempre será. Agora que a Marta descansa nas suas sestas nos meus braços, pequena, a iniciar a sua vida, o Gonçalo já tem comigo um companheirismo do qual nunca me farto. Certo que a Marta terá comigo e com o pai a sua própria cumplicidade, sobretudo quando começar a interagir connosco (que por agora só come, dorme e chora com cólicas). Só que o Gonçalo é o meu menino precioso e se chorei no quarto durante o trabalho de parto, com saudades dele, ainda chorei mais quando o vi depois do nascimento da irmã. Mas chorei cá por dentro, de felicidade por ele estar de volta ao nosso seio familiar, por me parecer imenso, do alto do seu metro e sete centímetros. E amo-o tanto que me dói as entranhas!
Amo-os aos dois mas o primeiro é o primeiro. A segunda não vem em segundo lugar no amor, mas este sentimento pelo Gonçalo é tão inexplicável que acho que só consigo transmitir que gosto mais de um do que do outro. E não é nada disso... O meu primeiro é o meu amor pequeno e a minha segunda é um amor tão recente que o meu coração só lhe tem amor a transbordar para lhe dar.
Em resumo, eu sinto-me cada dia mais capaz de amar. Ter filhos é aprender a amar, de todas as maneiras possíveis.
2011/04/27
Este é o momento de partilhar o fim de semana de Páscoa da nossa família.
Eis que Sábado, lá seguimos eu e o pai Nuno sem grandes pressas para o Hospital nos Olivais. Dar entrada num Sábado e de Páscoa, é surreal. No 2º dia de internamento era a única grávida internada, com direito a tratamento personalizado no piso da Obstetrícia.
Quando demos entrada, a Dra. M lá estava de serviço e em pouco menos de 20 minutos começou a aventura. A Marta estava muito subida mas tentamos a indução. Comprimidos colocados lá por baixo e toca de dar entrada no quarto 410. Mais uma vez nos calhou um quarto individual, com vista para uma imensidão de árvores num dia cinzento e ventoso.
Feitas todas as coisas iniciais, WC e tal, lá nos ligaram ao CTG, para monitorizar. Era perto das 10h nesta altura. Não demorou muito até sentir o efeito da medicação que a médica tinha introduzido, e as contracções começaram. Ao contrário do parto do Gonçalo, desta vez o Nuno pode estar sempre comigo desde o início e foi uma ajuda IMENSA na altura da dilatação porque eu detesto sofrer, sou uma maricas e uma mão ao lado para apertar nos momentos piores é super importante. Após primeira observação, a dilatação tinha 3 dedos. Com as dores das contracções, fui enviada para a sala das epidurais, onde os 2 anestesistas de serviço foram super queridos e bem dispostos. Mais uma coisa completamente diferente do parto do Gonçalo, no qual apanhei uma anestesista muito mal encarada, que ralhou comigo o tempo todo. Desta vez, os anestesistas foram compreensivos, ajudaram-me a colocar na posição correcta e foram encorajadores. Tenho de admitir que a ideia era chegar à epidural o mais tarde possível mas desisti de "sofrer" bem cedo. Não me arrependo porque as horas de dilatação que se seguiram seriam bem longas e dolorosas.
Passaram-se algumas horas nesta fase. O Nuno foi almoçar, a médica também e eu continuei com a esperança de uma expulsão normal, até porque a enfermeira que nos apoiou nesta fase foi muito esperançosa, dizendo que a diltação estava a fazer-se e era um bom sinal. Este processo durou perto de 5h.
Pelas 16h foi tempo de avaliar novamente a situação e... 3 dedos, e tudo completamente igual... Pelo meio da dilatação as águas tinham-me rebentado sem eu me aperceber e nem mesmo com esse sinal as coisas evoluiram. Foi-nos dada a possibilidade de escolher ficar mais algum tempo a decidir se avançava já a cesariana ou não e perante o cenário, segui para o bloco de partos. O Nuno deixou-me na porta. No SAMS os pais não são autorizados assistir às cesarianas.
Detestei todo o processo, apesar de estar rodeada de profissionais excepcionais e muito humanos. Reencontrei o anestesista, um dos enfermeiros tentava acalmar o meu nervosismo natural conversando e chegamos à conclusão de que eramos do mesmo concelho. Tudo correu bem, calmamente, de forma serena, na sala tocava Bee Gees no rádio e eu pensei no meu marido que gosta daquilo e que esperava lá fora.
As minhas tensões arteriais eram medidas constantemente e acusavam uma tendência a baixar, toda eu tremia de nervos e frio à mistura. Na sala todos falavam calmamente, aprontando todas as coisas. Perguntavam-me como se ia chamar a pequena, comentavam o nome simpático e pouco habitual nestes dias. O anestesista insistia que deveria ser o mesmo nome da filha da Luciana Abreu porque ele era do Sporting. A minha médica desconhecia tal nome e até se estava a convencer que seria o nome que iriamos colocar à Marta.
A cirurgia começou. Não demorou muito até me dizerem que ela tinha saído. Foram uns instantes que me pareceram horas até ouvir um choro. Um choro completamente normal e um som doce naquela sala fria. Mostraram-me a menina por cima do pano que tinha na minha frente: uma ratinha morena cheia de cabelo muito limpinha e perfeita. Lembrou-me o dia do parto do Gonçalo e o quão amassado ele vinha depois da expulsão.
Levaram a menina para dentro, eu conseguia ouvir o choro dela, tendo a certeza de que o pai já estaria com ela. Chamaram-no para a sala de Pediatria anexa ao bloco de partos para assistir à limpeza, aos exames e ao vestir da menina. Depois de a vestirem levaram-na até mim. Beijei aquelas mãos pequeninas e o narizinho da minha bebé ainda na marquesa, impotente para usar as mãos presas. E depois levaram-na e eu ali fiquei naquilo que me pareceu uma eternidade... Percebi que houve um vaso laqueado por causa de uma hemorragia e a costura demorou algum tempo. E no final, foi o alivio quando pude ser colocada na cama e de volta ao quarto.
Vi o Nuno assim que saí da sala. Trocamos um sorriso cumplice e fomos para o quarto. Eu tremia por todo o lado, apanágio da anestesia. O Nuno contou-me que tinha estado com a menina, eu contei-lhe que nunca mais quererei passar por uma experiência como uma cesariana. E nisto passou uma meia hora e depois a Marta entrou no quarto. O Gonçalo nunca veio ao quarto por causa da ferida no sobrolho à nascença, por isso foi uma felicidade aquele momento. Dei de mamar à Marta 1.15h depois dela nascer. Correu muito bem, ela pegou super bem na mama, o Nuno e a enfermeira ajudaram-me a dar de mamar deitada, num corpo dormente e desaparecido numa imensa anestesia. E nesse instante, o Gonçalo chegou para a visita, com os avós e o tio. E aquele núcleo familiar que é precioso para mim completou-se.
O Gonçalo estava envergonhado e curioso. Olhou com ternura para a irmã. E nesse momento, esqueci-me da cirurgia, que entretanto continuo a relembrar com as dores que sinto e as noites sem posição para dormir. Mas agora somos 4 e a Marta é um amor. E amo ainda mais o meu Gonçalo pela doçura com a irmã e pelo crescido que ele me parece depois de ela chegar. Amo a vida (só detesto as dores desta costura da treta que me faz sofrer momentos desesperantes, desde o mexer-me até me mudarem o penso e depois quando me tirarem os pontos...)
Estamos felizes (e algo assustados também). A Marta nasceu num Sábado de Aleluia. Bem haja este milagre!
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